Voltar para notícias G1
Bibliotecas paulistanas registram crescimento de visitantes em meio ao avanço do mundo digital
Publicado em 30 de julho de 2026

Bibliotecas paulistanas registram crescimento de visitantes em meio ao avanço do mundo dig Em tempos em que tudo parece ser dominado pelo mundo digital, muitos paulistanos estão procurando refúgio nas bibliotecas públicas municipais de São Paulo. Em 2025, a rede municipal registr
Bibliotecas paulistanas registram crescimento de visitantes em meio ao avanço do mundo dig Em tempos em que tudo parece ser dominado pelo mundo digital, muitos paulistanos estão procurando refúgio nas bibliotecas públicas municipais de São Paulo. Em 2025, a rede municipal registrou cerca de 1,57 milhão de frequentadores, com crescimento de 15,3% em relação a 2023 e de 7,8% na comparação com 2024, mostrando que o hábito de ler livros no formato físico continua vivo. O total reúne a frequência registrada nas 54 bibliotecas públicas e nos 30 serviços de extensão de leitura da Coordenação do Sistema Municipal de Bibliotecas (CSMB), na Biblioteca Mário de Andrade, nas bibliotecas do Centro Cultural São Paulo (CCSP) e na Biblioteca Maria Firmina dos Reis. Leia também: O que os paulistas leem no metrô? Veja os livros que acompanham passageiros nos trajetos em SP Veja o que fazer em SP: show de Guilherme Arantes e peça de Paulo Betti Acompanhe a cobertura do g1 São Paulo Acervo biblioteca Mario de Andrade Fabiano Correia Especialistas apontam que a leitura em papel ainda apresenta vantagens quando o objetivo é compreender conteúdos mais complexos, refletir sobre o texto e memorizar informações. Segundo Elisa Kozasa, neurocientista e pesquisadora do Idor, estudos indicam que, para textos longos e que exigem compreensão profunda (como material de estudo), os livros físicos levam vantagem, com maior retenção e melhor percepção da temporalidade dos eventos. Já para romances ou textos curtos, por exemplo, não há diferenças relevantes entre os formatos físico e digital. Por outro lado, a leitura digital oferece vantagens práticas, como ajuste de fonte, busca no texto e economia de espaço (útil em viagens), sendo mais eficaz em dispositivos próprios para leitura do que em smartphones. A escolha ideal depende do objetivo: livro físico para estudo e retenção; digital para praticidade e leitura casual. As bibliotecas administradas pela Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa registraram mais de 510 mil empréstimos e promoveram mais de 15 mil atividades culturais ao longo do último ano. Bibliotecas paulistanas registram crescimento de visitantes Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa Quais são as bibliotecas mais visitadas? A Biblioteca Mário de Andrade foi a unidade mais visitada em 2025, com cerca de 207 mil visitantes ao longo do ano. A Biblioteca Affonso Taunay ficou em segundo lugar entre as unidades da CSMB, com 74.545 visitantes. A Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato completou o pódio da rede, com 64.332 visitantes. As bibliotecas públicas e os serviços de extensão de leitura geridos pela CSMB registraram 510.602 empréstimos em 2025, ante 486.736 em 2023, alta de 4,9%. O acervo físico da CSMB é composto por 1.741.476 livros e 238.762 outros materiais, como revistas, gibis e mangás, totalizando quase 2 milhões de itens. Soma-se a esse acervo a plataforma BiblioSP Digital, que, desde junho de 2024, oferece acesso gratuito a cerca de 17 mil exemplares digitais. As bibliotecas do Centro Cultural São Paulo — Sérgio Milliet, Gibiteca Henfil e Louis Braille — receberam mais de 87 mil visitantes em 2025. Outro destaque foi a Biblioteca Maria Firmina dos Reis, na Cidade Tiradentes, que mais que dobrou sua frequência, passando de 4.094 visitantes em 2024 para 9.185 em 2025. Bibliotecas como polos culturais Além dos livros, as bibliotecas vêm se consolidando como espaços de convivência, cultura e formação, com uma programação diversificada. Em 2025, os espaços da CSMB realizaram mais de 15 mil atividades culturais, que reuniram 422.322 pessoas. Somado o público das atividades culturais da Biblioteca Mário de Andrade, o total chega a 468.322 pessoas. A programação incluiu contação de histórias, saraus, clubes de leitura, exposições, peças de teatro, sessões de cinema, apresentações musicais, oficinas e cursos voltados a diferentes públicos e faixas etárias. Além de reunir milhares de visitantes todos os anos, as bibliotecas municipais fazem parte da rotina de leitores de diferentes gerações. Frequentador da Biblioteca Mário de Andrade desde a adolescência, o cozinheiro Reginaldo Luciano da Silva conta que o espaço se tornou um ponto de encontro com a leitura e o conhecimento ao longo da vida. "Sempre gostei de vir à biblioteca. É um lugar muito enriquecedor, onde a gente encontra conhecimento, tranquilidade e novas perspectivas. Costumo aproveitar minhas pausas no trabalho e também os fins de semana para ler com calma e, quando encontro um livro que me interessa, levo para casa. Acho que espaços como esse podem incentivar crianças e adolescentes a descobrir novos caminhos, desenvolver o hábito da leitura e viver melhor", afirma. Na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, a doméstica Ana Lucia Oliveira da Silva leva a filha regularmente para estimular o hábito da leitura desde cedo e ampliar suas referências culturais. "Quero que ela cresça cercada por livros e histórias e tenha referências que vão além das telas. A biblioteca desperta a imaginação, incentiva a curiosidade e nos proporciona momentos que vivemos juntas. É um espaço que faz diferença na formação dela e de muitas outras crianças", diz. Leitura física x digital Elisa Kozasa explica que, de forma geral, estudos que reuniram dezenas de pesquisas e milhares de participantes encontraram uma pequena vantagem da leitura em papel na compreensão de textos. Esse benefício aparece de forma mais consistente em textos informativos, como conteúdos acadêmicos, científicos ou jornalísticos, especialmente quando há limite de tempo ou necessidade de atenção aos detalhes. Uma das explicações está na maneira como o cérebro se orienta durante a leitura. No livro impresso, a posição das páginas, a noção de quanto já foi lido e a facilidade de voltar rapidamente a um trecho ajudam a formar uma espécie de “mapa mental” do texto. Isso pode facilitar a localização de informações e a compreensão da estrutura geral do conteúdo. Em estudos comparando livros impressos e leitores digitais, a compreensão geral muitas vezes foi semelhante. No entanto, quem leu no papel mostrou mais facilidade para lembrar a sequência dos acontecimentos e localizar onde determinadas informações apareciam, algo importante em textos longos ou mais densos. Isso não significa que a leitura digital seja prejudicial ou inferior em qualquer situação. Para textos curtos, leituras narrativas e conteúdos consumidos sem pressa, as diferenças tendem a desaparecer. Os pesquisadores também destacam que nem toda tela é igual. Um Kindle, por exemplo, oferece uma experiência mais próxima da leitura em papel e costuma ter menos distrações. Já smartphones e tablets frequentemente competem pela atenção do usuário com notificações, mensagens e outros aplicativos, o que pode favorecer uma leitura mais fragmentada e superficial. Outro aspecto analisado é o conforto visual. Estudos mostram que a leitura em dispositivos eletrônicos pode provocar mais sintomas de fadiga ocular, como ardência e lacrimejamento, embora isso dependa de vários fatores, como brilho da tela, tamanho da fonte, tempo de leitura e frequência com que a pessoa pisca. A neurocientista ressalta que o ambiente também é importante. O fato de as pessoas estarem indo para as bibliotecas também nos faz lembrar que o ambiente é importante. O silêncio, estar em um ambiente preparado para que você fique focado e concentrado. Então, além do livro em si, é muito importante verificar o ambiente e o que está ao seu redor. As bibliotecas têm essa tradição centenária de terem sido criadas e organizadas com regras próprias para que você possa desfrutar ao máximo da sua leitura. A conclusão mais equilibrada da literatura científica é que o papel continua oferecendo vantagens para estudo aprofundado, leitura longa e retenção de informações. Já os meios digitais se destacam pela praticidade e acessibilidade. Em vez de um substituir o outro, as evidências sugerem que cada formato tem pontos fortes e funciona melhor em contextos diferentes.
Fonte: G1 SP — [Leia a matéria completa](https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/07/30/bibliotecas-paulistanas-registram-crescimento-de-visitantes-em-meio-ao-avanco-do-mundo-digital.ghtml)
